como migrar para o BIM sem enlouquecer seu escritório

BIM é uma tecnologia revolucionária que tem transformado o jeito como as edificações tem sido projetadas, analisadas e construídas. Com o conceito de BIM se tornando um assunto proeminente para arquitetos e engenheiros, centenas de informações e teorias estão inundando publicações especializadas. Mas, e para você, como o BIM pode te ajudar a projetar? O que é mesmo relevante para você nessa tendencia?

Uma boa maneira de planejar uma migração para o BIM é contextualizando a discussão para o seu caso específico, porque provavelmente BIM para você será muito diferente de BIM para um grande escritório multinacional. Assim, vale se perguntar: Qual a complexidade dos projetos que serão realizados? Há uma rede de escritórios parceiros de projetos complementares já adaptada ao uso do BIM? Quanto se pretende investir de tempo e recursos na migração para a nova plataforma?

As respostas a essas perguntas podem ser um facilitador na hora de filtrar dentro do amplo e complexo conceito de BIM o que é mesmo importante no seu processo. E assim, garantir que recursos e tempos não sejam usados desnecessariamente.

Apesar da complexidade da maioria das ferramentas BIM,  há ainda soluções mais enxutas que atendem as demandas que a maior parte dos pequenos e médios escritórios pode ter por BIM.

No Seminário Internacional Google Sketchup, cuja a participação do bim.bon foi contada aqui, um engenheiro da Google disse em sua palestra que o SketchUp isoladamente pode sim ser considerado um  software BIM. Basicamente, porque permite anexar a componentes do modelo 3D informações textuais complementares – uma função essencial do conceito BIM.

 

A integração entre o modelo 3D e informações complementares pode ser usada para facilitar tarefas importantes do dia a dia de projeto. Por exemplo, pode se gerar uma lista de fornecedores para cada componente construtivos, declarar informações técnicas e de performance de materiais, atrelar preços, especificar modelos e fabricantes no próprio modelo, gerar quadros de esquadrias, etc. Essas tarefas são cotidianas em todas as escalas de escritório e pode ser bastante facilitada na plataforma BIM.

A migração para BIM pode portanto começar pelo que é essencial no seu projeto e ser realizada dentro do próprio SketchUp.

O bim.bon pode ainda complementar o SketchUp oferecendo um banco de dados com milhares de elementos construtivos com modelo 3D e preços atualizados, além de ferramentas de cálculo de orçamento. A utilização de um plugin para estas funções pode dispensar horas de trabalho para a criação de um banco de dados de informações e facilitar a migração para o BIM sem alterar os processos atuais de projeto. Uma pesquisa realizada com cerca de 300 arquitetos em 20 cidades Brasileiras revelou que o software da Google é utilizado por 84% dos escritórios nacionais em pelo menos uma das fases de projeto. BIM pode estar portanto mais próximo e menos complicado do que aparenta.

BIM.BON . A BIM system for architectural practice in Brazil

O título deste post é também o do nosso artigo apresentado na conferência EAEA 2011 – Delft. O artigo discute as dificuldades dos softwares de BIM para serem largamente adotados nos escritórios brasileiros de arquitetura. Resumidamente, acreditamos em duas razões centrais: 1 – A dificuldade na aquisição de dados e as divergências entre os modelos utilizados em softwares importados e os métodos construtivos nacionais e; 2 – O fato dos softwares BIM não serem adequados para as fases iniciais do processo de projeto. A partir desse cenário, nossa hipótese é a construção do bim.bon um plugin para Google SketchUp que alia as facilidades de uso do software Google com um banco de dados que contem grande parte dos materiais construtivos disponíveis no mercado brasileiro.

 

 

 

BK City – Delft

A EAEA aconteceu na Faculdade de Arquitetura da Universidade Técnica de Delft, na Holanda. Um lugar ótimo: três mil alunos de arquitetura em um sisudo prédio histórico com um divertido e eficiente projeto de interior.

A organização do espaço interno do prédio é baseada em ‘ruas’ entre seus três blocos e sinalizadas com placas brilhantes de neon colorido. Por lá também existe uma coleção de design de mobiliário com peças expostas e outras espalhadas de uso livre pra quem quiser um assento.

A conferência em si, aconteceu de maneira esperta e acolhedora em uma grande sala com muito mais cara de sala de estar do que de aula. O grupo de mais ou menos 40 conferencistas se acomodou em sofás e cadeiras confortáveis para discutir sobre pesquisas e estudos de caso de visualização e representação arquitetônica. No próximo post conto o que o bim.bon tinha para falar aos europeus.