Exposição reúne desenhos, colagens e maquetes que evocam arquiteturas e paisagens imaginárias
Em cartaz no Studio-X no Rio de Janeiro, a exposição Miniatura reúne desenhos, colagens e maquetes que evocam arquiteturas e paisagens absurdas.
Trabalhos dos artistas Ciro Miguel e Bruna Canepa integram a mostra. Bruna e Ciro trabalham juntos desde 2011.
Saiba um pouco mais através do texto de Vanessa Grossman:
É a cidade que está fora de escala, deformada, deslocada temporalmente, ou o lote, o edifício, ambos? É do encontro entre a incongruência da paisagem material e da cultura arquitetônica das metrópoles—que em São Paulo atingiu o estatuto de aberração— e a proeminência da paisagem natural, americana, desmedida, condicionando cenários urbanos como os do Rio de Janeiro ou Santiago do Chile— que derivam as estratégias e operações propostas por Miniatura. Quisera o arquiteto ou o urbanista ter imaginado as diferentes escalas, formas e formações (minerais, geológicas), e temporalidades que nelas coexistem.
Se a incongruência do construído é descontextualizada formal, temporal, e espacialmente nos desenhos e maquetes, sintetizando escalas e situações fantásticas, a questão da forma, do tempo, do espaço e sua dimensão é novamente complicada quando o edifício é reinserido nas paisagens variadas das fotografias. Ao isolar, ou re-contextualizar, Miniatura transfere e testa os procedimentos (sobrepor, estreitar, incrustar, seccionar, estratificar, girar, deslocar, iluminar, emparedar, inundar), levando-os ao extremo. Todavia, as imagens apresentadas nem sempre consistem em fotomontagens.
O que é real? O que foi imaginado? Como em Todos os fogos o fogo, em que cada uma das “figuras” propostas pelo escritor argentino Julio Cortázar se relaciona com as outras em distintos espaços e temporalidades, dos quais elas podem sair e entrar – Paris, Buenos Aires, Cuba, uma ilha grega, Roma Antiga, Beirute – Miniatura busca relações análogas não na ficção mas no real incôngruo, lembrando-nos de que ele muitas vezes supera a imaginação do arquiteto. Não é preciso pintar o sonho e escapar através de uma rachadura na parede, como no mundo miniaturizado evocado por Bachelard: o mero absurdo das ruas é ainda a maior fonte de liberdade para os prisioneiros voluntários da arquitetura.
Miniatura fica aberta para visitação até 06 de abril.
Onde: Studio X
Dias e horários: Segunda à sábado, das 11h às 20h
Endereço: Praça Turadentes, 48 | Centro | Rio de Janeiro

















